Toca do coelho
Acabei por descobrir o motivo de minha magreza em uma quente noite de insônia no verão. Em meio a devaneios filosóficos percebi que uma coisa estranha estava acontecendo.Uma sensação de vazio interior.De dor na alma, estava com fome muita fome. Foi aí que tudo começou decidi ir até a geladeira, e, inconformado percebi que não havia comida. Não, não se trata de uma crônica para defender os miseráveis, embora eles bem mereçam uma, mas fica para outra hora, a minha perplexidade se dava ao fato de independente de haverem duas geladeiras e um freezer na minha bem servida casa de classe média brasileira, não havia uma maçã ou tomate que me agradasse.
Não por que uns estivessem verdes ou vermelhos, de fato isso não me importava, mas todas as frutas estavam machucadas.Machucados mínimos, que talvez nem alterassem o delicioso sabor da comida, mas, estavam ali com cicatrizes amassões, conformado com um copo de água, decidi retornar à cama. E, foi nessa cama que algo mais terrível ainda me ocorreu eram pelas maçãs e tomates que estava filosofando aquela noite e não me divertindo com os amigos ou dormindo um sono tranqüilo de quem confia no amanhã. Lembrei me até de vez em que me confrontei com meu pai quando ele me viu em enorme esforço para pegar uma banana do meio do cacho, pois todas as demais estavam feridas, mas, sob a ameaça de greve de fome, como todo bom pai ele me permitiu apreciara apenas das mais excelentes bananas.
Eu tinha amigos, bons amigos que toda semana iam tornar o sossego de meu lar um albergue da juventude, mas foram poucos os amigos da minha vida. Apesar de minha pouca alimentação estava vivo, e achava que isso era suficiente, pois só comia do melhor, mas, aquela noite, percebi que estava com fome, e voltei à cozinha, no caminho, num momento de hiporglicemia súbita, por alguns segundos desmaio.
Não foi tempo suficiente para cair no chão, mas durante a inconsciência um delírio tomou conta de mim, neste, me vi como uma rúcula hidropônica temperada com sal, azeite, e vinagre de limão, espetado no que eu chamava de estomago por um enorme garfo de aço inox, indo em direção à boca de uma criança que acreditava ser um dinossauro devorando enormes árvores, representadas por mim, enquanto aos berros tentava resolver o terrível equivoco da criança e tentava me safar como um filme minha vida passava pela minha frente, me lembrei de quando era apenas um broto na fazenda, da mão da doce senhora que com todo carinho me arrancava da terra, ah se eu soubesse o mal que me faria, depois lembrei-me dos frios dias numa prateleira, e minha última lembrança era de entrar em um saquinho do Carrefour.
Incoerências à parte retomei minha consciência e cheguei ao meu destino, onde, peguei um copo destes que se usa para tomar wisk, pequeno, onde cabe pouco mais que uma dose, com uma pedra de gelo e um pouco de refrigerante enchi o copo, e com pompa de fino bebedor fui à janela me deleitar com a vista e me exibir a um possível observador. Paulatinamente, gole a gole esvaziei o copo, e me passou pela cabeça se deveria beber mais ou não. Pensei então o quão deplorável era se exibir para ninguém na janela ainda por cima passando uma falsa impressão, mas ainda estava com fome, e saudade de meus amigos, e mais que isso saudade de todos aqueles que podiam ter sido amigos e não foram.
Com pesar, abri a geladeira, olhei bem para as maçãs, um olhar diferente, curioso, depois foram os tomates que observei, pensei nos catadores de bananas, motoristas de caminhão, donos de rodovias e governadores de São Paulo, e pensei, antes de voltar ao meu quarto, era só fome, eu jamais comeria daquelas frutas.
Pedro pedreiro penseiro esperava um tem. Já eu, era bicho de cidade grande e esperava pacientemente o metrô.
Não me recordo bem ao certo do lugar ao qual me dirigia, mas de certo devia estar com muita pressa, mas a composição não chegava, decidi então me dirigir à extremidade da plataforma imaginei que lá, talvez houvesse menos gente, dada a relativamente longa distância da escada de acesso à plataforma.
Durante o meu percurso pela estação, me deparei com sua beleza. Tratava-se de uma bela estação aberta, envidraçada, suspensa acima de uma avenida e abaixo de um viaduto, a meio caminho do céu, de lá podia ver de um lado os ricos arranha céus do centro e, os mais ricos ainda do Morumbi, também via uma igreja, curiosamente, não era a igreja que dava nome à parada de trem, via árvores jovens sem medo da morte, suspenso por cordas presas na mureta do viaduto que ficava em cima da estação, como eu, apreciavam a vista, mas, mesmo estando naquela situação estavam mais calmos que eu.
Quando cheguei ao fim da parte envidraçada, no ponto em que num morro a estação entrava debaixo da terra, comecei a escutar um barulho agudo, que foi ficando grosso, forte, medonho, assustador, barulho de metal raspando metal, de repente aquele barulhinho se tornara como um rugido de fera selvagem, depois se assemelhava ao dragão que assombrava meus sonhos infantis, vi então duas luzes, o trem chegara! Porém, ele estava do outro lado da plataforma, seu destino era o oposto do meu, parou, abriu as portas, apitou, fechou-as. Ele se foi.
E eu fiquei.
bom por hoje é só...bom issu é bastante por um dia não...falou!!!!!!
Não por que uns estivessem verdes ou vermelhos, de fato isso não me importava, mas todas as frutas estavam machucadas.Machucados mínimos, que talvez nem alterassem o delicioso sabor da comida, mas, estavam ali com cicatrizes amassões, conformado com um copo de água, decidi retornar à cama. E, foi nessa cama que algo mais terrível ainda me ocorreu eram pelas maçãs e tomates que estava filosofando aquela noite e não me divertindo com os amigos ou dormindo um sono tranqüilo de quem confia no amanhã. Lembrei me até de vez em que me confrontei com meu pai quando ele me viu em enorme esforço para pegar uma banana do meio do cacho, pois todas as demais estavam feridas, mas, sob a ameaça de greve de fome, como todo bom pai ele me permitiu apreciara apenas das mais excelentes bananas.
Eu tinha amigos, bons amigos que toda semana iam tornar o sossego de meu lar um albergue da juventude, mas foram poucos os amigos da minha vida. Apesar de minha pouca alimentação estava vivo, e achava que isso era suficiente, pois só comia do melhor, mas, aquela noite, percebi que estava com fome, e voltei à cozinha, no caminho, num momento de hiporglicemia súbita, por alguns segundos desmaio.
Não foi tempo suficiente para cair no chão, mas durante a inconsciência um delírio tomou conta de mim, neste, me vi como uma rúcula hidropônica temperada com sal, azeite, e vinagre de limão, espetado no que eu chamava de estomago por um enorme garfo de aço inox, indo em direção à boca de uma criança que acreditava ser um dinossauro devorando enormes árvores, representadas por mim, enquanto aos berros tentava resolver o terrível equivoco da criança e tentava me safar como um filme minha vida passava pela minha frente, me lembrei de quando era apenas um broto na fazenda, da mão da doce senhora que com todo carinho me arrancava da terra, ah se eu soubesse o mal que me faria, depois lembrei-me dos frios dias numa prateleira, e minha última lembrança era de entrar em um saquinho do Carrefour.
Incoerências à parte retomei minha consciência e cheguei ao meu destino, onde, peguei um copo destes que se usa para tomar wisk, pequeno, onde cabe pouco mais que uma dose, com uma pedra de gelo e um pouco de refrigerante enchi o copo, e com pompa de fino bebedor fui à janela me deleitar com a vista e me exibir a um possível observador. Paulatinamente, gole a gole esvaziei o copo, e me passou pela cabeça se deveria beber mais ou não. Pensei então o quão deplorável era se exibir para ninguém na janela ainda por cima passando uma falsa impressão, mas ainda estava com fome, e saudade de meus amigos, e mais que isso saudade de todos aqueles que podiam ter sido amigos e não foram.
Com pesar, abri a geladeira, olhei bem para as maçãs, um olhar diferente, curioso, depois foram os tomates que observei, pensei nos catadores de bananas, motoristas de caminhão, donos de rodovias e governadores de São Paulo, e pensei, antes de voltar ao meu quarto, era só fome, eu jamais comeria daquelas frutas.
Pedro pedreiro penseiro esperava um tem. Já eu, era bicho de cidade grande e esperava pacientemente o metrô.
Não me recordo bem ao certo do lugar ao qual me dirigia, mas de certo devia estar com muita pressa, mas a composição não chegava, decidi então me dirigir à extremidade da plataforma imaginei que lá, talvez houvesse menos gente, dada a relativamente longa distância da escada de acesso à plataforma.
Durante o meu percurso pela estação, me deparei com sua beleza. Tratava-se de uma bela estação aberta, envidraçada, suspensa acima de uma avenida e abaixo de um viaduto, a meio caminho do céu, de lá podia ver de um lado os ricos arranha céus do centro e, os mais ricos ainda do Morumbi, também via uma igreja, curiosamente, não era a igreja que dava nome à parada de trem, via árvores jovens sem medo da morte, suspenso por cordas presas na mureta do viaduto que ficava em cima da estação, como eu, apreciavam a vista, mas, mesmo estando naquela situação estavam mais calmos que eu.
Quando cheguei ao fim da parte envidraçada, no ponto em que num morro a estação entrava debaixo da terra, comecei a escutar um barulho agudo, que foi ficando grosso, forte, medonho, assustador, barulho de metal raspando metal, de repente aquele barulhinho se tornara como um rugido de fera selvagem, depois se assemelhava ao dragão que assombrava meus sonhos infantis, vi então duas luzes, o trem chegara! Porém, ele estava do outro lado da plataforma, seu destino era o oposto do meu, parou, abriu as portas, apitou, fechou-as. Ele se foi.
E eu fiquei.
bom por hoje é só...bom issu é bastante por um dia não...falou!!!!!!
