Saturday, June 25, 2011

Daigo

Caso já não bastanssem os infortúnios que te causei na vida, os vermes que mastigam minha pútrida mente, me pediram que contasse-lhe uma história.

Trata-se porém, não de uma história, sobre nós, ou sobre os outros, mas do que há entre comum nos dois, o que de mais profundo existe no espaço, onde todos os opostos se conciliam. Portanto, não trate essa carta como uma ode à razão ou à ingenuidade, mas como um canto à união.

É o conto de um anjo, que passava dias a voar pelos céus da Terra, não preso nessa cela de ossos carne e sangue, efêmera e miserável, mas um espírito livre que pairava sobre as mais altas nuvens. Porém, tão linda criatura, deixava que o ar lhe atravessasse, e jamais sentira o vento batendo-lhe no rosto.

Ora, de que valhe voar se não se sente o vento batendo no rosto? Tal é o papel da felicidade na vida das pessoas, Ela, e sim, ela, faz com que os sorrateiros ventos colidam com a pele fria, eriçando os pelos, aumentando o desejo de toque, envolvendo seus amados, como o vento que envolve quem resiste a ele.

Amei-te e por amar demais não soube respeitar-te, e ameaço levar-te às profundesas do abysmo para que conheças meu mundo, mas nada disso é certo. Mais certo seria, se tú te deixastes envolver pela felicidade, abrisse um grande sorriso enquanto é tempo, cantasse uma cantiga do infinito dançando capoeira, e saltasse por entre as ruas como quem acaba de receber seu primeiro beijo da donzela amada.

Quão lindo seria novamente sentir meus labios sobre os seus, quão lindo seria rever os reflexos de sua intacta e translucida retina a mirar meus olhos, quão doce seria sentir seu cheiro, e quão suave seria novamente sentir sua pele.

Mas nada disso é certo. A vida para tí, não é um seguir longo de paixões rumo ao desconhecido, porém uma árdua e imensa escalada para um porto seguro onde encontre paz e descanso. E isso é o que deves seguir, seu mais puro instinto que é rua mais pura razão, a de contruir um lar.

Não temas que te obrigues a querer-me,

Não teimas pois te preciso a acalmar-me,

Não queimas pelo fogo do estrume,

Antes, ardes pelo espanto dos calados.

Nada disso passa de poesia barata e palavras ao vento, nada do que te digo tem real valor, nada que te fiz vale mais que um centavo, nenhum de meus abraços aqueceu-te o coração, mas no vacilo tímido de seu olhar, o pavor-amor que sentias, via-se nítido através de qualquer máscara e corrupção.

Admiração supersticiosa, paixão desenfreada ou apenas uma experiência não sensata, não sei de que se trata, mas que trate a dor de nossos corações. Que se trate e não tarde, em apagar as memórias de nossos beijos, para supri-la de desejos do que ainda há por vir.

Que se nos atiraram nesse mundo com um propósito, esse foi de que nos amassemos e nos distanciassemos, porém, nada mais me diz que os propósitos não sejam mais que meras propostas.

Bitucas de cigarro ao lixo, quão singela titude de não sujar as ruas, quão grandioso ato para a limpeza espiritual do mundo, quanta beleza nessa simplicidade, quanto amor pela terra carente.

Que se desdobre sobre tí toda beleza.

Que sejais feliz sem metafísica.

Que ames o próximo mais que a tí mesmo,

Mas que eles voz amem mais do que os ama.

A beleza os ama.

Pela paz Osama.

Mas o que queria contar-te não contei, como queria amar-te não amei, como queria solucionar os profundos mistérios do universo...me deparei com uma parede, e a derrubei...

Mas tú, inocente e puro de coração, há de entender, que existe mais no mundo que a dor e a felicidade torpe.

Há de descobrir que por detrás de cada coisa há um mistério de encantamento.

Deus queira que voltes a ver o mundo como criança.

E a criança como o mundo.