O que poderia acontecer de tão ruim? Estamos no século vinte e um, as pessoas, em tese, são liberais, não haveria problema em um relacionamento casual. Até acho que ia passar desapercebido pelos olhos das grandes massas urbanas, mas algo me assustava, não lembro se a atração era mútua, até que deveria ser, mas, na época, minha maturidade não era plena e não sei bem ao certo se sabia o que estava fazendo.
Só tinha 13 anos, ou já tinha 13, não sei qual é o mais apropriado, mas decidi que o relacionamento, ainda nem começado, estava fadado a um fim, e um bem triste, antes mesmo que ele se iniciasse.
Até, que um dia, numa casual festa de aniversário, onde nenhum presente fazia parte das tais massas urbanas que ignorariam o fato, nos encontramos, nós três, eu, ele, e a vodka, ah maldita, quase arruína minha vida social.Não que eu ligue muito pro social sabe, sempre fui do tipo que não se importa muito com a opinião alheia, mas aquilo era caso de suma importância, como eu tão jovem lidaria com tal problema?
Infelizmente, quando tomei vodka perdi o juízo e beijei ele, bem no meio do salão, ele me agarrava com suas mãos e me beijava com sua boca molhada, doce, talvez tenha sido o melhor beijo da minha vida. Mas foi no pior lugar, não digo minha boca, pq esse foi um ótimo lugar, mas sim a festa, a, mais inoportuna circunstância, as pessoas pararam e me miraram com olhares de fuzís.
Sentia como se milhares de balas me penetrassem a cada segundo, mas não queria soltar deles, e se alguém contasse a meus pais? Como iria me explicar? Tudo isso me passava pela cabeça até momentos antes dos lábios se tocarem, depois, era só o momento. E como um interruptor, assim q soltava da boca dele voltava a pensar, mas então as bocas novamente se juntavam, e uma onda de calor me percorria.
Ouvia, em câmera lenta, alguns bobos presentes na festa derrubarem seus copos de refrigerante, e ouvia também os que tinham melhores bebidas comentarem o fato, mas nem ligava, sabia que não havia problema.
Mas para a fútil elite paulistana havia problema sim, que olhares horrendos, quantos anos de fúteis comentários, quantas histórias toscas, minha amiga, aquela que fazia aniversário ao ver a cena desatou a chorar, depois do beijo, ou melhor, da sessão de quase 15 minutos, fui falar com a chorosa aniversariante, ela disse que me amava, e que jamais me perdoaria por ser gay, nunca soube se sou gay, devo ser, pois ela nunca me perdoou.
Panela velha é que faz comida boa
Era gigolo profissional havia dez anos, era renomado, por muitos reconhecido o melhor da cidade, nunca cometi geriatrofilia, velhofilia ou sei lá o que, mas fui contratado por uma coroa que mudou minha via.
A aparência num era das melhores não, algo nela me lembrava à rainha da Inglaterra, e outra parte dela me lembrava a feiticeira Malévola da bela adormecida, e acho que foi a segunda parte que mais me atraiu, não sou muito fã da monarquia, pra mim não passa de outro sistema cruel de exploração do homem e pelo homem, no caso da mulher pelo homem, e tudo mais.
Era gigolo, mas nem por isso burro, de fato, até que bem inteligente, sou doutor em história e filosofia, como todo bom tenor desempregado, ou melhor, expulso do coral da escola por dar em cima da tia.
A aparência daquela velha me fez usar dois viagras da primeira vez, me arrependi logo em seguida, pois meu caro leitor, aquela coroa mandava muito!!!! Ela quase me matou, nem cobrei pela minha quase morte e no dia seguinte fui a seu encontro novamente.
Era gigolo, e como todo bom nessa área não sabia bem o significado de muitos provérbios e ditos populares, até ver minha Malévola rainha britânica preparando-me uma bela feijoada em forno à lenha e panela de pedra.
A aparência da feijoada?
Era gigolo, não gourmet!!!!
bom por ´hoje é só..até mais.
