Thursday, February 16, 2006

Desculpem-me a demora em atualizar, hoje textos sobre sexo e amor, minha novela foi adiada devido a problemas familiares.


Primeiro beijo.
Ele foi o primeiro garoto a se declarar pra mim. Olhos verdes, cabelos loiros, pintados, mas loiros, cacheados, pele quase albina, parecia um anjo. Me dizia as coisas mais lindas. O que eu podia dizer? Perfeito?
O que poderia acontecer de tão ruim? Estamos no século vinte e um, as pessoas, em tese, são liberais, não haveria problema em um relacionamento casual. Até acho que ia passar desapercebido pelos olhos das grandes massas urbanas, mas algo me assustava, não lembro se a atração era mútua, até que deveria ser, mas, na época, minha maturidade não era plena e não sei bem ao certo se sabia o que estava fazendo.
Só tinha 13 anos, ou já tinha 13, não sei qual é o mais apropriado, mas decidi que o relacionamento, ainda nem começado, estava fadado a um fim, e um bem triste, antes mesmo que ele se iniciasse.
Até, que um dia, numa casual festa de aniversário, onde nenhum presente fazia parte das tais massas urbanas que ignorariam o fato, nos encontramos, nós três, eu, ele, e a vodka, ah maldita, quase arruína minha vida social.Não que eu ligue muito pro social sabe, sempre fui do tipo que não se importa muito com a opinião alheia, mas aquilo era caso de suma importância, como eu tão jovem lidaria com tal problema?
Infelizmente, quando tomei vodka perdi o juízo e beijei ele, bem no meio do salão, ele me agarrava com suas mãos e me beijava com sua boca molhada, doce, talvez tenha sido o melhor beijo da minha vida. Mas foi no pior lugar, não digo minha boca, pq esse foi um ótimo lugar, mas sim a festa, a, mais inoportuna circunstância, as pessoas pararam e me miraram com olhares de fuzís.
Sentia como se milhares de balas me penetrassem a cada segundo, mas não queria soltar deles, e se alguém contasse a meus pais? Como iria me explicar? Tudo isso me passava pela cabeça até momentos antes dos lábios se tocarem, depois, era só o momento. E como um interruptor, assim q soltava da boca dele voltava a pensar, mas então as bocas novamente se juntavam, e uma onda de calor me percorria.
Ouvia, em câmera lenta, alguns bobos presentes na festa derrubarem seus copos de refrigerante, e ouvia também os que tinham melhores bebidas comentarem o fato, mas nem ligava, sabia que não havia problema.
Mas para a fútil elite paulistana havia problema sim, que olhares horrendos, quantos anos de fúteis comentários, quantas histórias toscas, minha amiga, aquela que fazia aniversário ao ver a cena desatou a chorar, depois do beijo, ou melhor, da sessão de quase 15 minutos, fui falar com a chorosa aniversariante, ela disse que me amava, e que jamais me perdoaria por ser gay, nunca soube se sou gay, devo ser, pois ela nunca me perdoou.

Panela velha é que faz comida boa

Era gigolo profissional havia dez anos, era renomado, por muitos reconhecido o melhor da cidade, nunca cometi geriatrofilia, velhofilia ou sei lá o que, mas fui contratado por uma coroa que mudou minha via.
A aparência num era das melhores não, algo nela me lembrava à rainha da Inglaterra, e outra parte dela me lembrava a feiticeira Malévola da bela adormecida, e acho que foi a segunda parte que mais me atraiu, não sou muito fã da monarquia, pra mim não passa de outro sistema cruel de exploração do homem e pelo homem, no caso da mulher pelo homem, e tudo mais.
Era gigolo, mas nem por isso burro, de fato, até que bem inteligente, sou doutor em história e filosofia, como todo bom tenor desempregado, ou melhor, expulso do coral da escola por dar em cima da tia.
A aparência daquela velha me fez usar dois viagras da primeira vez, me arrependi logo em seguida, pois meu caro leitor, aquela coroa mandava muito!!!! Ela quase me matou, nem cobrei pela minha quase morte e no dia seguinte fui a seu encontro novamente.
Era gigolo, e como todo bom nessa área não sabia bem o significado de muitos provérbios e ditos populares, até ver minha Malévola rainha britânica preparando-me uma bela feijoada em forno à lenha e panela de pedra.
A aparência da feijoada?
Era gigolo, não gourmet!!!!

bom por ´hoje é só..até mais.

Tuesday, February 07, 2006

Lá vai...Coisa histórica esse texto...Das longínquas épocas do segundo colegial, lutei miuto contra a correção ortográfica para escrevê-lo...Lá vai:

Conversa de surdos

Domingo à noite é fatídico. Deve ter alguma relação com os astros ou coisa do tipo, mas sempre, todo domingo à noite aqui em casa sai briga.
Estava relaxando no conforto do meu domicílio, que infelizmente divido com meus progenitores, quando um deles, o feminino, subitamente invade o cômodo onde ocorria o meu descanso e pôs-se, sem pensar ou perguntar, a mover os objetos que a mim pertencem, estrategicamente posicionados de forma a parecerem aleatórios, sobre minha mesa, e colocando-os em lugares completamente distintos de suas posições originais, dentro de gavetas, armários e demais locais fora do meu campo de vista.
-Mãe que ce ta fazendo?
-Só arrumando seu quarto, respondeu como se tivesse toda a razão.
-Mas já ta arrumado mãe, e mesmo que não estivesse, o quarto é meu.
Percebam a gora que ela nem se dignou a responder meu tão sábio comentário, e continuou sua incansável luta peã desordem e pelo caos, este que, aliás, já estava presente em meu humilde lar desde aquela vez, semana passada, quando ela fez-me o favor de sumir com o recarregador de bateria do meu telefone móvel, de modo que por simples falta de energia, fiquei sem minhas prezadas ligações por eternas cento e vinte e sete horas, quatro minutos e trinta e cinco segundos, o que, se pensarmos em termos da minha vida de quinze anos recém completos, cerca de cento e trinta e uma mil, quatrocentas e setenta e duas horas.
(graças aos anos bissextos, casos vocês queiram comprovar meu infalível raciocínio lógico), pode-se claramente ver que gastei quase um milésimo da minha vida, sem receber ligações, imaginando o que as pessoas me contariam, já que ninguém me ligava em casa dado o temor geral de que minha cruel progenitora atendesse ao telefone. Sabem, esse é o tipo de milésimo da vida do qual se sente falta na hora da morte.
-Manhê! Você odeia que mexam nas suas coisas então para de mexer nas minhas!!!
Não me deu atenção novamente, e eu sacando que obviamente tudo o que ela queria era um pouco de atenção ignorei-a, até que ela fez o inaceitável, começou a dispor minas indumentárias sob um móvel onde estava apoiado meu televisor, impedindo minha visão da brilhante tela do equipamento.
-Sai da frente, p...!!!!- vociferei movido pela abstinência de meus raios vitais.
Agora ela estava começando a me enraivecer, e a mutação constante de meu calmo ser se manifestou novamente. Será que todos os pais do mundo eram assim?
De certo não. Eu e minha progenitora nos pusemos numa discussão que seguindo o raciocínio das oras, tomou cerca de um cinqüenta mil avos de minha existência. Estava realmente farto de perder minhas preciosas frações de tempo, enquanto meu corpo ainda se mantém ativo, e pus-me a chorar.
Já ouviram falar, daquele tão pregado mito de Hollywood, de que quando os filhos começam a chorar, o instinto maternal fala mais alto e os pais se tornam gentis? É mentira!!! Pelo menos no meu caso foi... Hoje é domingo, é de noite, meus pais estão prestes a voltar de seu local de culto semanal, e isso me impedirá de continuar a escrever, exceto se eu quiser desperdiçar mais dois cinqüenta avos da minha vida em uma discussão iníqua por estar usando o computador. E eu de fato não quero.

olhem só o que a galera que num tem blog e num pode comentar anda dizendo:

hauhahua. . muito bom, lendo esses textos todos eu fiquei com um pouco de saudade de quando escrevia texto mais ou menos assim, hahaha. . bom, quero saber sobre a sua novela, adorei todos os textos, principalmente a da vendedora no farol e do metrô, que tem um final cômico, haha. Bom, eu vou indo, apareço aqui mais vezes, teh mais

Ps: Eu adorei o lema do blog "Oferecimento Toca do Coelho, para quem gosta de ir mais fundo no que lê"
comentário by Antero...

Wednesday, February 01, 2006

Aqui agente num tem destes despertadores não sabe, eu acordo mesmo é com a luz do sol de manhã. O único problema é durante o inverno que aí agente tem que correr um pouquinho na hora de levantar. Eu até cheguei a ter uns sabe, mas dava que eles quebravam toda hora e eu também num tinha dinheiro pra comprar pilhas pra eles. Agente só sabe a hora mesmo quando chega na avenida, mas nem isso eu sabia direito antes, num conhecia os números, minha filha que me ensinou a ler, ela é meu maior orgulho, tem 15 anos e cursa a oitava série da escola pública duas quadras a baixo de casa.
Mas, voltando a mim, trabalho no farol, na Faia Lima, lá, vendo chicletes para os motoristas endinheirados em seus carrões, outro dia vendi uma jujuba pro cara que tava em uma Ferrari, sabe eu gosto desses carrões assim tipo de corrida sabe, pq eles num tem teto e aí os motoristas num podem simplesmente nos ignorar fechando a janela.
Num dia bom chego a ganhar quinze reais, deles, cinco vão para a compra de mais chicletes, compro de um vizinho meu, ele traz ilegalmente de ônibus do Paraguai toda semana um montão de chicletes, assim sai mais barato e sobra mais dinheiro pra mim e minha filha.
Mas dia bom é coisa rara, dá que nessa terra sempre chove, é impressionante, quase toda tarde cai um toró e aí num dá pra vende, uma vez eu até tentei mais peguei uma peneumonia que tive que ficar tempão de cama, entalo é melhor num arriscar.
E só pra chegar na faria lima e voltar pra casa são mais quatro reais, pego ônibus sabe, por que se for a pé fico com sede e chego muito tarde, e também fica difícil acordar no dia seguinte.
Ontem foi aniversário da minha filha sabe, e dei pra ela de presente um radinho, ele vai na tomada e num gasta pilha, ela queria de verdade uma tv, que nem a q o seu Agenor tem, mas num deu pra comprar, o jeito é ir mesmo na casa dele todo dia pra ver as noticias, o que num é de todo mal pq ele é ótima companhia e o filho dele é um rapaz tão bondoso.
Lembro que quando cheguei na cidade tinha medo das notícias, é, depois de ver o jornal tinha medo de sair na rua, mas aí percebi que era tudo mentirinha, tudo imaginação, que aquelas coisas num aconteciam de verdade, sempre passo por aquele barraco que pegou fogo ano passado, e ele num me parece nada queimado, e nunca vi ninguém ser assassinado aqui.
Aliás, vi sim, o traficante que era namorado de minha filha morreu baleado pela polícia duas semanas atrás, e num apareceu nas notícias, em lugar nenhum, minha filha disse q é pq quem é morto pela polícia é oficialmente suicida.
Tadinho do garoto, ele era tão bom pra gente, enchia minha filhinha de jóias caras, que se um dia num tive mais comprador no farol agente vive bem vendendo aquilo, sabe, era um rapaz honesto trabalhador, não me recordo de nem um dia em que ele num tivesse trabalhando lá na boca, e também nunca vi um riquinho sendo agredido por ele que nem passa nas notícias.
Quase que tive um neto dele, mas minha filha sem saber que tava grávida acabou bebendo demais em uma festa e o pobre bebê morreu, mas ela num ta muito abalada com a morte do coitado não. Eles andavam meio brigados por causa da outra namorada dele.
Mas o filho de seu Agenor é um cara bem bacana sabe, ele num se meteu com esses negócio de droga não, ele é vendedor. Outro dia fui até a loja onde ele trabalha, é um pequeno mercadinho, muito bom, se não fosse tão longe iria lá sempre.Aliás, nem é tão longe o problema é que fica lá em baixo do morro e subir com as compras depois fica difícil.
Lá no mercadinho ele trabalha no setor de armas, no fundo da loja, tem cada arma bonita lá, tem umas até que vieram da Rússia e da suíça. Recentemente fiquei preocupada, por que o emprego dele estava ameaçado com toda essa história de referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo. Mas ele me disse que o emprego tava seguro por que lá também se vendiam facas, aí fiquei mais tranqüila.
É importante que ele tenha um emprego bom, sabe, afinal, nenhuma mãe quer que o futuro marido de sua filha seja um desajustado qualquer.