Tuesday, February 07, 2006

Lá vai...Coisa histórica esse texto...Das longínquas épocas do segundo colegial, lutei miuto contra a correção ortográfica para escrevê-lo...Lá vai:

Conversa de surdos

Domingo à noite é fatídico. Deve ter alguma relação com os astros ou coisa do tipo, mas sempre, todo domingo à noite aqui em casa sai briga.
Estava relaxando no conforto do meu domicílio, que infelizmente divido com meus progenitores, quando um deles, o feminino, subitamente invade o cômodo onde ocorria o meu descanso e pôs-se, sem pensar ou perguntar, a mover os objetos que a mim pertencem, estrategicamente posicionados de forma a parecerem aleatórios, sobre minha mesa, e colocando-os em lugares completamente distintos de suas posições originais, dentro de gavetas, armários e demais locais fora do meu campo de vista.
-Mãe que ce ta fazendo?
-Só arrumando seu quarto, respondeu como se tivesse toda a razão.
-Mas já ta arrumado mãe, e mesmo que não estivesse, o quarto é meu.
Percebam a gora que ela nem se dignou a responder meu tão sábio comentário, e continuou sua incansável luta peã desordem e pelo caos, este que, aliás, já estava presente em meu humilde lar desde aquela vez, semana passada, quando ela fez-me o favor de sumir com o recarregador de bateria do meu telefone móvel, de modo que por simples falta de energia, fiquei sem minhas prezadas ligações por eternas cento e vinte e sete horas, quatro minutos e trinta e cinco segundos, o que, se pensarmos em termos da minha vida de quinze anos recém completos, cerca de cento e trinta e uma mil, quatrocentas e setenta e duas horas.
(graças aos anos bissextos, casos vocês queiram comprovar meu infalível raciocínio lógico), pode-se claramente ver que gastei quase um milésimo da minha vida, sem receber ligações, imaginando o que as pessoas me contariam, já que ninguém me ligava em casa dado o temor geral de que minha cruel progenitora atendesse ao telefone. Sabem, esse é o tipo de milésimo da vida do qual se sente falta na hora da morte.
-Manhê! Você odeia que mexam nas suas coisas então para de mexer nas minhas!!!
Não me deu atenção novamente, e eu sacando que obviamente tudo o que ela queria era um pouco de atenção ignorei-a, até que ela fez o inaceitável, começou a dispor minas indumentárias sob um móvel onde estava apoiado meu televisor, impedindo minha visão da brilhante tela do equipamento.
-Sai da frente, p...!!!!- vociferei movido pela abstinência de meus raios vitais.
Agora ela estava começando a me enraivecer, e a mutação constante de meu calmo ser se manifestou novamente. Será que todos os pais do mundo eram assim?
De certo não. Eu e minha progenitora nos pusemos numa discussão que seguindo o raciocínio das oras, tomou cerca de um cinqüenta mil avos de minha existência. Estava realmente farto de perder minhas preciosas frações de tempo, enquanto meu corpo ainda se mantém ativo, e pus-me a chorar.
Já ouviram falar, daquele tão pregado mito de Hollywood, de que quando os filhos começam a chorar, o instinto maternal fala mais alto e os pais se tornam gentis? É mentira!!! Pelo menos no meu caso foi... Hoje é domingo, é de noite, meus pais estão prestes a voltar de seu local de culto semanal, e isso me impedirá de continuar a escrever, exceto se eu quiser desperdiçar mais dois cinqüenta avos da minha vida em uma discussão iníqua por estar usando o computador. E eu de fato não quero.

olhem só o que a galera que num tem blog e num pode comentar anda dizendo:

hauhahua. . muito bom, lendo esses textos todos eu fiquei com um pouco de saudade de quando escrevia texto mais ou menos assim, hahaha. . bom, quero saber sobre a sua novela, adorei todos os textos, principalmente a da vendedora no farol e do metrô, que tem um final cômico, haha. Bom, eu vou indo, apareço aqui mais vezes, teh mais

Ps: Eu adorei o lema do blog "Oferecimento Toca do Coelho, para quem gosta de ir mais fundo no que lê"
comentário by Antero...

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